sábado, 12 de maio de 2018

Geisel autorizou execuções de presos políticos, diz documento da CIA

Geisel autorizou execuções de presos políticos, diz documento da CIA

Segundo documento, execuções deveriam ocorrer em casos excepcionais e com a autorização do Planalto, mediante consulta ao general Figueiredo.
Ernesto Geisel  governou o Brasil entre 1974 e 1979 / Foto: Presidência da República
 
O ex-presidente Ernesto Geisel sabia e autorizou a morte de presos políticos brasileiros durante o período que governou o País, nos anos de ditadura militar. A informação é revelada em documento do ex-diretor da CIA, William Egan Colby, enviada ao Secretário de Estado, Henry Kissinger, com o título: “Presidente brasileiro Ernesto Geisel decide continuar execução sumária de subversivos sob certas circunstâncias”.

Apontado como o general que iniciou a abertura política brasileira, limitando a ação dos censores e extinguindo o Ato Institucional número 5, o memorando localizado pelo pesquisador de Relações Internacionais da Fundação, Getúlio Vargas Matias Spektor, reescreve a história do Brasil. 
Conforme o documento, em 30 de março de 1974, o general Milton Tavares de Souza, chefe de saída do Centro de Inteligência do Exército (CIE), informou ao então presidente e ao general João Baptista Figueiredo, à época chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI) — futuro sucessor de Geisel na Presidência e último militar a assumir tal posição —, sobre o assassinato de 104 pessoas durante o governo de Emílio Garrastazu Médici, no ano anterior. Souza perguntou se a política deveria ser mantida. 
 
Geisel não tomou a decisão de imediato. Em 1º de abril do mesmo ano, novo documento informava à CIA sobre a decisão do presidente: “a política deveria continuar”. Contudo, o penúltimo presidente militar estabeleceu que apenas os presos “subversivos perigosos” deveria ser mortos. Apoiando as execuções desde a primeira reunião, Figueiredo foi designado para decidir quem iria morrer, segundo o relato do ex-diretor da Agência americana. 

“Quando a CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe da CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada. O Presidente e o General Figueiredo também concordaram que a CIE deve dedicar quase todo o seu esforço à subversão interna, e que o esforço geral da CIE será coordenado pelo General Figueiredo”, revela o documento.
 Fonte:https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2018/05/documento-da-cia-sugere-que-geisel-sabia-e-autorizou-mortes-durante-a.html

 
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